Este mês de fevereiro, apresentamos o JoeRoman, mais conhecido como Joe, Variety Streamer dos Grow uP eSports. Esperemos que gostem da sua entrevista, tanto como nós gostámos, e esperamos que possam aprender mais um pouco sobre o Joe, e quem ele é fora da stream, as suas motivações, os seus medos, e seus objetivos.
P: Fala-nos um pouco sobre ti.
R: Olá, eu sou o JoeRoman, mas toda a gente me chama só de Joe, que chega e sobra. Sou um autêntico nerd, um ex-programador informático tornado Streamer na plataforma Twitch.tv, mas também, com muito orgulho, um papá babado de uma linda menina de 2 anitos! No geral, um moço que gosta de desenvolver tanto conversas como palhaçadas, junto com a sua comunidade
P: Quando começaste a streamar e o que te motivou a tal?
R: O meu 1º stream foi em Janeiro 2016, embora eu pessoalmente considere ter começado em Março, pois o grande total de 4 streams que tiveram lugar nos 2 meses anteriores, foram maioritariamente testes.
Na altura tinha imensas condições a contrariar a minha vontade de dar stream, portanto demorou. Dava stream num laptop já com 6 anos e meio, um bocado lento… foi preciso configurar tudo ao pormenor até encontrar um conjunto de definições que permitia criar um broadcast com um nível de qualidade acima do aceitável.

A minha motivação no entanto, já parece uma história digna de um filme, portanto peço já desculpa pela descrição mais longa.
Anos antes do stream, após um estágio bem sucedido numa grande empresa aqui em Portugal, foi-me oferecida uma posição, a qual creio que toda a gente na minha família estava à espera que eu aceitasse. Contudo, eu optei pelo inverso devido a uma crença pessoal de que não me conseguia encaixar naquela particular situação.

Ora, se já na altura me foi muito difícil, imaginemos então quando, apesar do meu negócio individual de Web Development, a crise começou a afectar cada vez mais severamente este país, e a clientela foi desaparecendo (o que era apenas natural, as empresas passaram a lutar pela sua própria sobrevivência, não havia dinheiro para andar a mandar fazer novos websites, etc.). Foi uma altura bem complicada para mim e apesar de ter feito coisinhas pequenas aqui ou ali e uns biscates, não tinha grande estabilidade e o prolongar da situação deixou-me com alguns problemas de ansiedade, os quais não tinha antes apesar de sempre ter sido uma pessoa mais ansiosa.

Debati-me com esses problemas por uns tempos, diria até que ainda hoje ocasionalmente me debato com eles, mas foi principalmente o nascimento da minha filha que me tirou da cepa torta. Ora, eu sempre tinha desejado criar o meu próprio canal no YouTube e mesmo um no Twitch (que conheci quando ainda se chamava justin.tv), mas achava sempre que não podia. Não sei se era a incerteza, a ansiedade, alguma desculpa esfarrapada ou alguma legítima, como achar que o tal Laptop não permitiria tal coisa.
Mas, com o nascimento da Leonor, questionei-me por várias vezes do que iria fazer por ela. Apesar da preocupação financeira enquanto pai, a pior preocupação era a de achar que estava num ‘mau sítio’ na vida e que iria haver dias onde ela precisaria de sair, ir às festinhas de aniversário, etc, e que eu não iria estar com capacidades para ser mais social ou para me expor mais e ia estar a pôr o desenvolvimento dela em questão. Ora, isso é que não podia ser!

Portanto, num dia de enorme resolução pessoal, decidi que se por vezes ainda tinha receios normais de ansiedade que me impediam de me expor mais, socialmente, ia ultrapassá-los com a maior prova de fogo possível e criar conteúdo Vídeo para expor na internet. Decidi fazê-lo no Twitch e em breve percebi que não só adorava dar stream, como este me estava a ajudar a quebrar as limitações e sair da minha bolha, da minha zona de conforto. Efectivamente, dar stream, estava-me a deixar mais confiante novamente, algo que havia perdido, e ainda a ser um melhor pai! Conheci entretanto algumas pessoas que me começaram a dizer que tinha algum jeito e algumas, chegando a conhecer esta história, começaram a confiar mais em mim e comecei EU a ajudar outros a ultrapassar os seus receios e problemas. Fui formando a minha comunidade, bastante aberta e conversadora.

Não podia ter pedido melhor resultado, todos saímos melhor do que entrámos!

P: Como vieste a conhecer os uP?

R: Essa pergunta tem 2 respostas pois eu não conhecia a associação Grow uP Gaming, mas conhecia os ‘underworld Preachers’.
Quando era mais novo joguei vários jogos online (especialmente Counter-Strike, mas casualmente também algum Unreal Tournament, Quake 3 Arena, Diablo 2), e inclusivamente fundei um dos primeiros clãs de CS em Portugal, portanto já estava bem por dentro da ‘gaming scene’ quando os uP foram criados.
Sempre me pareceu um clã com ambição e com pessoal bem porreiro. Apesar de já mais tarde me ter afastado, sei que os uP atingiram um bom grau de sucesso, em vários jogos.

Quanto aos Grow uP Gaming enquanto associação (e Stream team), só vim a conhecer quando, após já estar a dar stream faz uns meses, alguns dos broadcasters que eu conhecia e com quem me dava regularmente, me mencionaram a existência da equipa e dos seus desejos de possivelmente um dia se juntarem à organização. O nome soou-me familiar e após uma pequena pesquisa entendi que se tratava de uma associação que advinha de um excelente planeamento e branding, construída e moldada a partir do clã uP.

Gostei bastante do que vi e algum tempo após alguns dos meus amigos se juntarem, conheci o Borba, que acreditou em mim e no plano que eu tinha para o meu canal.
O resto, como dizem, é história.
P: Com que jogo te iniciaste nas streams e que jogos costumas streamar atualmente?
R: O meu primeiro stream de todos foi dedicado ao jogo ‘Darkest Dungeon’, pois era mais fácil de controlar por ser bastante interessante, por vezes frustrante ou hilariante, mas ainda assim não muito rápido, o que ajudava com a minha cruzada para ultrapassar as limitações do meu computador. Contudo, considero que verdadeiramente me iniciei no mundo do streaming com um pequeno jogo chamado ‘Nuclear Throne’. Em alguns aspectos semelhante ao Darkest Dungeon, o Nuclear Throne é um jogo bastante difícil, mas com enorme replayability, tendo em conta que toda e qualquer run neste estilo de jogos (roguelikes e roguelites) acaba sempre por ser drasticamente diferente da anterior.
Cresci com esse jogo, começando por ter 0 pessoas interessadas em ver um noob como eu a jogar, até chegar a um ponto onde tinha então um dos canais mais populares. Apesar de ter pouca base de viewers hoje em dia, não só já teve mais, como era considerado a modos
que um pequeno ‘cult-classic’ do género, de forma semelhante (mas ligeiramente inferior) ao ‘Binding of Isaac’. Isso ajudou-me a construir o meu canal. Actualmente jogo um pouco de tudo, pois Streamer de Variedade sempre foi o objectivo. Contudo, reconhecidamente jogo menos roguelikes/roguelites hoje em dia, apesar de continuarem a ser o real núcleo do meu stream.
Gosto de jogos interessantes, mas acima de tudo complicados ou difíceis, por isso são capazes de me apanhar com algo do género, ou a tentar ‘dificultar’ a minha própria vida em jogos mais simples, como por exemplo tentar delinear um novo recorde mundial no Slime Rancher. Adoro pôr-me em palhaçadas desse género, por vezes sem qualquer outro propósito senão fazer as pessoas rir com o ridículo da situação ou da premissa.
Gosto também de dar uma chance às verdadeiras jóias que por vezes se encontram no ramo ‘Indie’.

Assim sendo, podem encontrar-me a dar stream de jóias aclamadas como Stardew Valley em dias de relaxação, assim como me podem apanhar a dar tryhard em jogos mais sérios, como por exemplo Duos de PUBG com o Nobruc, também ele colega dos Grow uP, e a TaurenBreezy.

P: Que conselhos podes dar a quem pensa streamar, ou está a começar?
R: Diria que o mais importante para quem pensa começar a dar stream, é não fazer disto um bicho de 7 cabeças. A parte técnica está bem mais acessível hoje em dia, assim como o software (especialmente o OBS) e há imensos tutoriais para resolver todo e qualquer sobressalto. É só instalar e experimentar. Recomendaria a qualquer um com interesse no streaming. Não se perde nada em experimentar!

Quanto aos conselhos, creio que é muito importante saber reconhecer que o streaming é hoje em dia muito maior do que no passado e a concorrência é enorme. É necessário não se mergulhar de imediato com a mentalidade de que se vai ter o maior sucesso possível logo à partida, mas focar-se sim na parte essencial: alcançar a diversão. Mesmo a nossa própria, pois se não nos divertirmos enquanto jogamos, seguramente não vamos estar a criar um bom espectáculo nem um ambiente convidativo que faça com que os viewers se divirtam!

Para isto, aconselho vivamente entender-se que devemos jogar não aquilo que está na moda mas sim o que nos proporcionará o melhor estado de espírito e isso até ajuda pois começar com jogos populares é dar um tiro no próprio pé visto que é impossível alguém nos conseguir encontrar na lista do jogo quando ainda não temos qualquer audiência.
No mesmo comprimento de onda, recomendo não espreitar o vosso próprio número de viewers ao início. Quando ainda não temos experiência suficiente, é muito fácil deixarmo-nos afectar pelas flutuações no número de audiência (quer positivas ou negativas)
e alterar o nosso estilo de broadcast mesmo que não seja a nossa intenção. Isso é algo que não é de todo positivo. O que queremos é certificar que as poucas pessoas que nos dão uma oportunidade inicial, sintam que as estamos a tratar a elas, com a maior relevância. O importante é sempre saber conduzir a stream para o reconhecimento do valor e interesse em quem lá está no momento! Focarmo-nos em quem NÃO está, nunca trará vantagem alguma.

E, acima de tudo, há que acreditar. Se é algo que queiram vir a levar a sério, é importante lembrar que é um ramo bastante incerto e pode haver alturas em que estão em cima, assim como outras em que estão na mó de baixo. O importante é saber confiar no trabalho que desenvolvemos e acreditar que continuando a fazer o melhor possível e a manter o estado de espírito certo, eventualmente iremos chegar ao nível que queremos. Muito boa sorte 🙂
P: Quais consideras os pontos fortes da tua stream?
R: Considero que o ponto mais forte da minha stream é o meu contacto mais próximo com a minha comunidade e a minha audiência no geral. Sou bastante receptivo e aberto ao diálogo na minha stream e regularmente temos conversas prolongadas. Estas vão desde comuns, a hilariantes, a extremamente incisivas.
Isto vai bastante de encontro ao que é o 2º ponto mais forte na minha stream: a honestidade e realismo. Eu gosto bastante de manter uma atitude positiva e optimista, tal como mencionei anteriormente nos meus conselhos, contudo nem sempre se consegue viver num mundo cor-de-rosa e arco-íris. Por vezes há que ser realista e saber ser elucidativo (para com as pessoas) face às circunstâncias da vida. Ocasionalmente, isso acontece quando a audiência coloca questões mais existenciais ou situacionais acerca da actividade do streaming ou de experiências da vida no geral (especialmente no que toca aos temas mais responsáveis, tais como a transição para a vida adulta), em que uma resposta mais aprofundada e sincera é necessária.
Isto tem os seus momentos bons, mas pode também ocasionalmente ter um impacto negativo nas poucas pessoas que ainda não estejam habituadas à sinceridade ou que estivessem apenas à procura de um stream para relaxar após um dia de trabalho, não para ponderar sobre as questões da vida. Tudo dito e feito, tenho bastante orgulho na comunidade que criei e não só no quanto nos divertimos mas também no que temos a coragem de abordar.

P: A nível pessoal, o que mais te preenche como streamer?
R: A minha comunidade e ver a mesma a crescer. Vê-la incluir mais pessoas que ansiavam por ter um sítio onde se podiam sentir eles próprios. Onde podem conviver e relaxar após um dia longo ou complicado, rir à gargalhada, mas também falar sobre qualquer situação que estejam a atravessar, ou debater ideias sem que outros os julguem sem ouvir!
Adoro conhecer pessoas novas e vê-las hesitantes, pé ante pé, a testar as águas junto da minha audiência mais regular, mas descobrir aos poucos que se identificam com um espaço que os acolhe de braços abertos.

É um bocadinho cliché, mas é 100% a verdade. Quem tiver na dúvida, pode sempre passar por lá para me conhecer a mim e ao pessoal e dar umas boas gargalhadas! 😉
P: Na tua opinião, quais consideras os aspectos negativos e positivos de ser streamer?
R: O streaming liga-nos, oferece-nos uma oportunidade de conhecer novas e interessantes pessoas e actividades, as quais podíamos nunca ter descoberto caso contrário. É uma experiência sem igual.
Ao mesmo tempo, nenhum de nós que realmente cresceu um gamer, se consegue queixar muito de jogar videojogos enquanto emprego, hehe. Desde que se saiba escolher os jogos certos para manter o nosso ideal estado de espírito, é sem dúvida um trabalho que nos ajuda a manter a paixão acesa.

Contudo, o streaming também tem os seus pontos mais negativos. Quem acha que é algo simples, que consiste só em ligar um botão e falar para um microfone (e potencialmente olhar para uma câmara e ecrã) durante 4h, engana-se bem.
O horário de trabalho é enorme e a actividade incrivelmente desgastante, a nível mental, especialmente para aqueles de nós que estão a tentar furar e criar caminho para o full-time streaming.
Não é incomum eu trabalhar 14h por dia e isso deixa pouco tempo para actividades a nível pessoal, tendo em conta que tenho e estou a criar família.
A saúde física é outro ponto complicado pois é difícil arranjar o tempo para manter bons índices de actividade física e exercício, e o emprego em si consiste em passar largo número de horas sentado frente a um ecrã, o que não é bom para a vista, para a concentração e muito menos para a manutenção da forma e actividade muscular e postura.

A saúde psicológica pode ser uma situação ainda mais complicada, pois com um emprego altamente errático e incerto, vem a ansiedade. Esta depende da resiliência, estado de espírito e força psicológica de cada streamer, mas é fácil entender que com responsabilidades como renda, conta eléctrica e de internet (estas duas especialmente altas para streamers), custos operacionais e alguns extraordinários de ser streamer, é por vezes complicado ver um mês difícil onde haja menos suporte financeiro, e encarar de forma fácil e risonha. Uma pessoa regularmente dá por si a questionar a possibilidade do mesmo se repetir no mês seguinte. Há que saber recear, assim como auto-motivar e trabalhar para compensar o receio, mas de forma saudável, o que nem sempre é um dado adquirido.

Resumindo, é um trabalho incrivelmente apaixonante e único, contudo extremamente longo, desgastante e stressante. É necessário estar de olho, planear e compensar os pontos negativos, trabalhando para manter a atitude certa e a saúde física e mental.

P: A médio e longo prazo, que objectivos tens para a stream?
R: O meu objectivo para a minha stream é continuar a trabalhar, com empenho mas também com uma atitude positiva e muita diversão. Creio que este é o rumo certo para
que consiga vir a atingir o meu objectivo de alcançar um dia 500 subs, quem sabe até mais. Há que sonhar alto! Desde que se trabalhe para ir de encontro a tais ambições, não é? 😀
Estão de momento a começar a entrar em marcha alguns planos que tenho para a stream, incluindo a adição de novos emotes (e substituição de antigos), brevemente mais recompensas pela sub incluindo um mínimo de uma sub-giveaway mensal e actividades exclusivas como sub-votes para multiplayer days e playthroughs futuras, assim como um revamp do branding e overlays do canal para breve.
Posso também deixar já aqui que teremos novas playthroughs completas de jogos já há muito antecipados pela minha comunidade, como Dark Souls 2 por exemplo, DS3, NieR e Witcher, a começar já a partir de finais de Fevereiro e inícios de Março.
Pretendo também meter em prática os segmentos distintos, já há muito discutidos no meu canal, contudo não têm para já data marcada o início. Estes são a modos que uma dedicatória aos meus subs e algo que pedem regularmente, acho que querem rir-se à gargalhada um bocadinho, hehe. 🙂
Isto é então composto por um segmento que consiste em 1 a 2 streams mensais de Culinária (onde sou uma lástima, será uma série que me segue a mergulhar a sério no aprender a cozinhar e terá um foco na excelente cozinha portuguesa).
E também teremos outro segmento mais técnico, com 1 a 2 streams mensais, na minha área de formação profissional (Engenharia Informática), onde o foco é devolver algo meu à comunidade. Guiarei a audiência numa série onde os ensino a Programar e os
exemplos serão todos baseados em e guiados para uma perspectiva sobre ferramentas ligadas ao Twitch, ao streaming e à melhoria do branding dos canais. Criaremos widgets dinâmicas, como por exemplo o overlay minimalista que programei para a minha amiga
PsychoBunny e isto será feito com ideias providenciadas pela audiência, onde depois veremos o impacto do resultado final.
P: Além da Twitch, onde mais te podemos encontrar?
A: Ora para além do Twitch, o ideal é mesmo seguir no Twitter @joecroman, que é onde me podem encontrar regularmente a dizer palhaçada, e onde vos dou novidades, conduzo giveaways extraordinárias, aviso quando vou live, etc.
Para ver o meu conteúdo adicional, desde as maiores noobalhadas, aos highlights, passando por playthroughs de jogos retros, ou o meu input face a novidades do mundo do streaming, é melhor darem uma olhada no meu canal de YouTube channel.
Este especialmente, vai ver uma grande reviravolta no próximo mês a mês e meio, em conjunto com as novidades que tenho planeadas para o stream. Estejam atentos que
terei oportunidades únicas, e distintas, tanto no twitter como no YouTube.

Primeiro de tudo, gostaríamos de agradecer ao Joe, pelo seu tempo, e pela exposição feita a todos vocês. Gostaríamos de dizer de novo o quanto gostámos da sua entrevista, e até nós que seguimos o Joe há algum tempo, passámos a conhecê-lo ainda melhor.